Você é mais sincero falando a verdade ou mentindo?

  Hoje quero ser breve. Ontem me doei demais.

E não quero manter aquele ritmo. Nem posso.




Você tenta ajudar a pessoa nos seus termos, dá errado.

Você tenta ajudar a pessoa nos termos dela, dá errado.

Às vezes, a pessoa não quer ser ajudada.

Será que existe mesmo gente viciada em sofrer?




Se humilhe, e terá amigos!

Seja humilhado, e amigos aparecerão!




Engraçado, Lucas, no dia a dia você parece um p*ta otimista!

São os termos da conversa, meu chapa. É o game.

Não dá pra ser de verdade com quem é duas linhas.

Nem sincero na mentira com quem não respeita o proceder.




Sorriso verde, mentiras amarelas

Conselhos bestas, piadas de palhaço

Eu não consigo resolver os meus problemas

Então porque diabos nos seus que eu me amarro?




Hoje, o tinhoso tomou de conta.

O Lucas sete-peles. O Lucas gutural.

O Lucas que mora dentro tão dentro que nem vê as pessoas que os Luquinhas lá fora se esforçam tanto para agradar. Para deixar o ambiente confortável.

Esse Lucas não vê nem nunca viu luz. Não teve e ainda não tem esperança.

Esse Lucas se matou dia vinte e quatro de agosto de dois mil e dezessete.

        Para nunca mais voltar.

O Lucas que saiu da manjedoura dia dezenove de abril de dois mil e dezoito era outro. O Lucas que aprendeu a andar. Que aprendeu a desligar-se daquela realidade fantasiosa. Que aprendeu a sorrir e olhar nos olhos. Compreender e comunicar.

Mas hoje não é dia desse Lucas, não.

Ele até acordou aí mas não deram chance pra ele.

No começo dão, mas deixa ele começar a dar chance pros outros procê ver…

É patada atrás de patada.

Riam comigo mas não riam de mim, por gentileza.

Não é sua culpa nem minha, mas eu tenho um passado e minhas costas doem.




O Lucas que vou retomar agora nasceu até antes do gutural, que apesar de ter tomado o núcleo é bem recente, foi parido dia dezoito de fevereiro de dois mil e dezesseis.

O Lucas que vou retomar agora ainda era Santhyago, Santhyas, Santhya, Santhy, Sant, Sany, San, Sunny, puro suingue e alegria. Suingue para desviar das bordoadas de não dadas pela vida. Alegria pois lhe era natural. Vinha da Bahia, tinha boa família, queria fazer amigos e conhecer o mundo. Se aproximava das pessoas, gostava de perguntar e de brincadeiras. Era uma criança tardia vivendo o auge de sua sociabilidade.

Esse Lucas durou uns anos, talvez a partir dele surgiram todas as outras personalidades.

Este transtorno não tenho oficialmente, uso ele aqui apenas como metáfora.

O que sei, é bem escroto, mas é o que temos pra hoje.

Vai que um dia eu consigo um laudo para provar que a metáfora era revelação?

Nunca se sabe…




Lucas Santhyago Brandão Dias.

Destes quatro nomes, dois são somente meus.

Somente meus é uma piada né.

        Existem alguns milhares de Santhyagos, Santhiagos, Santyagos, e Santiagos.

        E Lucas, bem, existimos aos bilhões.




Eu queria ser breve, então vamos direto ao ponto.

Em algum lugar entre 2010 e 2011,

Entre os dezoito e os dezessete,

Entre Bonito e Brasília,

Entre ônibus interestaduais e distritais,

Eu perdi uma chave.


Só me foi perguntada uma vez.

A chance da minha vida. E talvez a dela também.

Sabe quando duas pessoas se compreendem?

Ela me sacou antes de mim.

Eu não me entendia nem com água na cara.


Eu era diferente, ela também.

Um beijo, na volta de uma viagem longa, era só isso.

Boatos ao nosso redor.

Gritos e jovens espalhafatosos.

A chegada à Brasília.

Os conflitos da sexualidade.

A incerteza do futuro.

As malas na mão.

Eu disse não.


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